Rádio: Em plena reinvenção

Um meio de comunicação é de suma importância para levar às pessoas informação e o direito à reflexão, o rádio se transformou e se adaptou à medida que as tecnologias surgiram e avançaram, tornou-se portátil e alcançou o ambiente virtual. Entretanto, a sua expansão não se deve somente aos avanços tecnológicos. Seu sinal chega aonde nenhum outro veículo de comunicação chega, daí o alto alcance geográfico. A abrangência de caráter social se deve à própria linguagem do rádio, muito mais direta, coloquial, persuasiva e intimista. Em comparação com os outros meios de comunicação, o rádio é o mais acessível economicamente e com isso, ele atinge de forma mais direta a população de baixa renda.

Tudo começou na década de 20, onde nas rodas de conversas da cidade do Rio de Janeiro, a pauta era única, a chegada de um veículo de comunicação que estava revolucionando os EUA e a Europa: o rádio. Daí em diante, aos poucos, a programação do rádio ganhou novos formatos, muitas vezes, por meio dos lucros vindos da publicidade, incluindo o lançamento, em 1943, de uma famosa marca de refrigerantes.

Era de grande sucesso os programas voltados para a música, humor e as radionovelas, assim como programas de calouros e shows transmitidos ao vivo, realizados nos bairros. Muitos maestros, com suas orquestras, cantores e compositores, fizeram escola nas ondas da Rádio Nacional, marcando a história da vida artística. As transmissões esportivas ocuparam um espaço importante na história do rádio, onde locutores deixaram suas marcas na forma particular de narrar as partidas emocionantes, as vitórias - como a da Copa do Mundo de 1958 - e as derrotas - como a de 1950, em pleno Estádio do Maracanã, com os torcedores bastante tristes.

O rádio é um instrumento de informação extremamente democrático, de mobilização e aglutinação,  por ter uma penetração muito grande, por ser de fácil aquisição e também por não exigir as pessoas por inteiro, ou seja, você pode fazer qualquer coisa, dirigir, trabalhar, ler, dormir ou acordar ouvindo rádio, sem que lhe tome por inteiro. Diferente de você pegar um jornal, uma revista, um livro ou assistir TV onde a pessoa tem de parar sua atenção por completo.

A sobrevivência e a superação do rádio devem-se principalmente por ele estar sempre aberto, democrático e sensível a todas as transformações ocorridas no mundo desde seu surgimento. Ao longo da história, o rádio tem sido protagonista em cenários distintos. Nas suas primeiras décadas, tinha como rivais os jornais impressos e o cinema, mas, foi com o surgimento da TV que o rádio viveu seu maior momento de crise e mesmo com o televisor tendo maior poder publicitário, conseguiu se superar, renovando a linguagem, como meio de comunicação prestador de serviços e canal de entretenimento, outro momento de adaptação foi quando surgiu a Internet, onde o rádio também teve uma fase ruim, mas só até entender que o rádio integrado à internet comprova a sua maleabilidade, pois mesmo com o avanço de novas mídias e com a expansão do acesso à internet, o rádio continua sendo um dos principais veículos de informação dos brasileiros.

É através do rádio que as pessoas recebem informação, cultura, entretenimento e compreensão dos fatos que nos cercam. Hoje, em pleno século XXI, o rádio continua prestando serviço de interesse público, divulgando notícias em blocos de informações 24h, cultura local da região e integrando as pessoas. Todos os anos são realizadas pesquisas para aferir a credibilidade dos vários setores da sociedade junto ao público, e todos os anos o rádio tem excelente resultado. De acordo com o Book de Rádio 2018, 5ª edição do estudo anual da Kantar Ibope Media, mostra que os ouvintes reconhecem o rádio como um meio ágil, compreensível e confiável. O Trust in News, da Kantar, já apontava essa tendência: 78% dos entrevistados declararam que o rádio, assim como os demais meios de grande alcance, é fonte de notícias confiáveis.

Segundo a Pesquisa Regular de Rádio, a Kantar Ibope Media, mostra o seguinte panorama do rádio: 89% das pessoas escutam rádio habitualmente, isso equivale a mais 52 milhões de ouvintes, sendo que 52% são mulheres e 48% são homens; o tempo médio diário dedicado pelo ouvinte à atividade de ouvir rádio chega a 5 horas e 21 minutos. O destaque está entre aqueles que têm entre 20 e 34 anos: 89% deles escutaram rádio nos últimos 90 dias. Em relação a classe social, 40% é da classe AB, 45% da classe C e 15% pertencem a classe DE. O resultado ao retratar o alcance por equipamento ficou da seguinte forma: 58% para rádio comum, tendo horário de pico entre 10 e 11h. 15% para celular e 5% ouvem rádio pelo computador, ambos com horário de pico entre 14 e 15h. Referente a local 52% ouvem rádio em casa, 15% no carro, 6% no trajeto e 10% enquanto trabalham. Os ouvintes não estão buscando somente músicas, mas também jogos de futebol e prestação de serviços. O tipo de programa mais ouvido é 94% voltado para música e 83% são noticiários, entrevistas, comentários e programas religiosos. Em 2016, no total, o rádio recebeu mais de 5 bilhões de reais em publicidade, foram 4,7 milhões de inserções dos mais diversos setores: comércio e varejo, serviços, cultura, entre eles, grandes marcas como: Claro, Bradesco, Tim, Ultrafarma e Fiat.

O rádio tem uma grande importância também na divulgação dos trabalhos políticos, transmitindo para o povo, conteúdos úteis e com forte função social, seja uma campanha educativa ou um aviso de utilidade pública. Na Era Vargas, tinha Programa do Presidente, como a “Hora do Brasil” e o programa “A Voz do Brasil”, ambos tinham caráter informativo, cívico e cultural. Por meio do programa, o governo iniciou a divulgação dos discursos oficiais e atos para obter apoio, exaltando o patriotismo. O rádio tem a função de deixar a população ciente dos problemas e discussões que acontecem no meio político, incluindo entrevistas que são realizadas com líderes políticos.

Os poderes executivos, legislativos e judiciários e entidades religiosas e comunitárias utilizam o rádio para realização de seus trabalhos, suas ideias e propostas. Isto é possível porque o rádio é uma fonte de informação imediata, fazendo parte do conhecimento de mundo do ouvinte. O ouvinte de rádio vive o dia a dia dos acontecimentos sociais, culturais e políticos. Acompanhando esses fatos, o ouvinte consegue ampliar seus horizontes de expectativas, exposto a mais informação, tento a oportunidade de ter uma visão de mundo de acordo com sua realidade. A rádio é mais que um som, ela é uma interação social, um sentido que atravessa as ondas e se solidifica nas relações sociais, exercendo uma grande influência entre as pessoas, sendo um veículo de grande penetração, principalmente nas massas populares.

Existe uma sintonia muito forte entre aquele que fala e aquele que ouve. O ouvinte que recebe e compreende uma mensagem, assume uma atitude responsiva, ativa; ele concorda ou discorda das palavras emitidas pelo locutor, e essa interatividade é muito importante. O rádio cumpre seu papel de informação aos ouvintes, desempenhando papel fundamental na sociedade, pois alcançam locais como as comunidades rurais, onde o jornal impresso ou internet não conseguem chegar, além de barato e de fácil acesso.

Estamos em um momento de transição, no qual ocorreu uma mudança de linguagem entre as emissoras de rádios, o rádio está se adaptando às novas tecnologias para disputar o mercado altamente competitivo da informação e do entretenimento. O futuro do rádio é inovador, ágil, interativo e com a mesma importância social, eficiência comunicativa e proximidade com as comunidades e os ouvintes. A sociedade está vivendo um momento de migração de plataforma, no qual as emissoras de rádio podem ser escutadas através de tabletes e dispositivos móveis. De acordo com o estudo, 31% da população representada usa algum serviço de streaming para ouvir música. Ao todo, cada ouvinte de streaming dedicou 2h05min por semana a esse serviço. O consumo de rádio na web vai pelo mesmo caminho: o tempo médio diário dedicado às rádios online é de 2h21min.

O rádio está em plena reinvenção, tanto que o rádio digital é o futuro, mas a linguagem característica do veículo se manterá, por mais que surjam diferentes plataformas. Há um novo rádio, um novo ouvinte, que já procura este novo rádio na internet, os vários meios de comunicação hoje se complementam, pois agora os ouvintes podem se comunicar em tempo real com os locutores através de aplicativos da própria rádio ou de mensagens e também pelas redes sociais, dando a possibilidade de se atualizar com os outros dispositivos e ter todas essas opções no mesmo espaço. O rádio se adaptou rápido com a nova tecnologia, está mais presente ao vivo e online, o momento é de multiplicidade de oferta e cenário multimídia, repleto de tecnologias, que não é um concorrente, e sim, uma plataforma de uma convergência de mídias, e assim, o veículo será sempre rádio, onde a fala humana vai perdurar, sendo comunicada em diferentes suportes, mas os atos de ouvir e de escutar – tão preciosos para o humano, permanecem.

 

Waguinho Ito (PPS), é vereador de Vitória 

Data de Publicação: segunda-feira, 09 de setembro de 2019

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