Vereadores de Vitória debatem retorno gradual de aulas presenciais na Capital

Nesta quarta-feira (29/07), em Sessão Ordinária remota, os parlamentares da Câmara Municipal de Vitória (CMV), receberam dois convidados para debater os protocolos para a polêmica retomada das aulas presenciais em Vitória: a pedagoga e professora Barbara Campos, mãe de dois filhos gêmeos autistas de cinco anos de idade (matriculados na rede privada de ensino da Capital), e o representante das empresas particulares de ensino, Breno Prado. Os convidados defenderam o debate pelo retorno gradual e responsável das aulas nas escolas da rede fundamental de Vitória.

A pedagoga Barbara Campos expressou sua preocupação com relação a situação dos pais de crianças autistas, que além dos graves problemas enfrentados por todas as crianças com menos de sete anos nas escolas do Município de Vitória - seja na rede pública ou na rede privada -,também vivenciam prejuízos adicionais. “Um problema que os pais de crianças autistas enfrentam é a questão conhecida como ‘plasticidade’ na socialização”, explicou a convidada. “O tempo de aprendizagem dos nossos filhos possui a peculiaridade de que o desenvolvimento cerebral deles requer atenção prioritária, para a sua futura socialização, até os sete anos de idade. Meus filhos completam sete anos em agosto, e o isolamento, aliado ao ensino online, está sendo extremamente prejudicial para eles”.

Dando continuidade à sua explanação, a pedagogoga e mãe ressaltou sua preocupação, e destacou que pesquisas mundiais, incluindo as originárias da Organização Mundial de Saúde (OMS), informam que em todo o mundo, após o retorno das aulas presenciais, apenas 0.1% das crianças que contrairam a covid-19, e todas elas possuiam comorbidades (doenças pre-existentes).

“O pânico gerado entre os pais de crianças, autistas ou não, é injustificado diante dos dados apresentados pela ciência, mas compreensível em função da desinformação e do amor e da preocupação paternais com o bem-estar dos pais pela saúde de seus filhos”, afirmou. “Por isso, concordo com a vereadora Neuzinha de Oliveira (PSDB), que sempre apoiou a causa das mães de autistas, e que também é mãe, de que uma solução a ser considerada é, garantidos os protocolos de segurança e a correta fiscalização dos mesmos, o retorno das crianças às aulas presenciais pode ser opcional, respeitando a posição dos pais que sejam contrários à esta medida”, pontuou a pedagoga,

Barbara Campos reafirmou que, em condições normais, as crianças não fazem parte do grupo de risco, e confessou que já foi infectadada pela covid-19. E que isso, infelizmente, aconteceu em uma reunião com pais de crianças autistas. “Não devemos procurar culpados, mas soluções. Contra a minha vontade, meus filhos foram expostos ao covid-19, felizmente sem complicações. O mesmo poderia acontecer com um trabalhador de supermercado, motorista de ônibus, ou qualquer profissional autorizado a exercer suas atividades, ao voltar para seu lar. “O importante é que haja um protocolo responsável e bem elaborado, que permita a reabertura das escolas. Há inclusive o problema econômico, já que trabalhadores das escolas privadas, como é o caso dos meus filhos, que estão perdendo seus empregos, com o abandono escolar, o que sobrecarregará a rede municipal no próximo ano”, lamentou.

Demissões - O representante das escolas da iniciativa privada, Breno Prado, elogiou as observações da pedagoga e professora Barbara Campos, que considerou relevantes, e acrescentou que o debate sobre a reabertura das escolas para as aulas presenciais, embora já tenha se iniciado há vários meses, ainda exige que a comunicade escolar, como um todo, se prepare para esta nova realidade, para a qual a sociedade em geral ainda não estava preparada. “Infelizmente a demissão de trabalhadores e o fechamento de instituições infantis é uma realidade. Trabalho com Educação há 26 anos, e reconheço que, embora as escolas venham se preparando para o debate, ainda não há soluções definitivas. Uma das maiores preocupações dos profissionais da Educação é o reflexo que esse período de isolamento e aulas online terão sobre o desenvolvimento das crianças. Para dar um exemplo, um professor demitido só poderá ser recontratado após seis meses. Isso, certamente terá grande impacto entre crianças com menos de sete anos”, observou, Breno Prado, com preocupação.

O representante das escolas da iniciativa privada reforçou a importância de que o retorno gradual das aulas presenciais obedeça protocolos rígidos e fiscalização específica para ambientes educacionais infantis. “Quanto ao aspecto da susceptilidade das crianças à covid-19, temos pesquisas que registram que ele é improcedendente. Em uma delas, após a reabertura das escolas, entre 79 crianças infectadas, 69 delas se curaram rapidamente, e não houve nenhum óbito”, exemplificou. “Não temos confirmação, mas muitas dessas contaminações podem ter se dado também por causas que não são, necessariamente, relacionadas ao ambiente escolar”, ressaltou.

O vereador professor Roberto Martins (REDE), que é contrário a reabertura gradual das aulas presenciais em 2020, lembrou que ele é autor de uma proposta de redução do IPTU das instituições educacionais que seja proporcional às perdas de alunos. Por sua vez, o vereador Luiz Emanuel (Cidadania), líder do governo na Casa Legislativa, defendeu veementemente que o debate sobre o retorno gradual das aulas presenciais nas redes pública e privada de Vitória se acelerem. “A OMS já declarou que a contaminação infantil por covid-19 é mínima, e o mundo inteiro já convive com esta realidade. Inclusive a Europa, que vive sob o risco de uma nova onda de coronavírus. Crianças, jovens e adultos já estão retomando as atividades educativas presenciais”.

Além do presidente, participaram da sessão ordinária remota os seguintes parlamentares: Cleber Felix (DEM), Dalto Neves (PDT), Davi Esmael (PSD), Denninho Silva (Cidadania), Leonil (Cidadania), Luiz Emanuel (Cidadania), Luiz Paulo Amorim (PV), Max da Mata (Avante), Mazinho dos Anjos (PSD), Nathan Medeiros (PSB), Neuzinha de Oliveira (PSDB), Roberto Martins (REDE), Sandro Parrini (DEM), Vinicius Simões (Cidadania), e Wanderson Marinho (PSC). Confira a Sessão na íntegra AQUI.

 

ORDEM DO DIA

PROJETO DE RESOLUÇÃO

1- Projeto de Resolução n.º 02/2020
Altera o Regimento Interno, para tornar obrigatória e semestral a prestação de contas do Presidente da Câmara.
Autor: Vereador Cleber Felix
Comissão de Constituição e Justiça, Serviço Público e Redação: PELA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DA MATÉRIA.
VOTAÇÃO ADIADA

 

Texto: Mágda Carvalho
Foto: Reprodução Internet

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Data de Publicação: quarta-feira, 29 de julho de 2020

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